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Começam votações na sucessão na ONU. Guterres tem mais "liberdade de palavra" na reta final
Os 15 estados-membros do Conselho de Segurança fazem uma votação informal, antes da recomendação formal à assembleia da ONU de um nome para secretário-geral. A cinco meses de António Guterres terminar o mandato, Miguel Serpa Soares, ex-secretário-geral adjunto para assuntos jurídicos, considera que o português teve uma postura "equilibrada" e que a sua intervenção não se esgotou ainda.
As Nações Unidas dão esta quinta-feira mais um passo para o escolher o próximo secretário-geral da ONU, com o Conselho de Segurança a votar informalmente entre sete candidatos conhecidos: Carolyn Rodrigues-Birkett, María Fernanda Espinosa, Michelle Bachelet, Rafael Grossi, Rebeca Grynspan, Macky Sall e Olara Otunnu.
Qualquer que seja o nome escolhido para suceder a António Guterres apenas toma posse a 1 de janeiro de 2027. Até lá, "o poder da palavra" de Guterres "permanece intacto", considera Miguel Serpa Soares, advogado e ex-secretário-geral adjunto para assuntos jurídicos e Conselheiro Jurídico das Nações Unidas entre 2013 e 2024.
"O poder da ação é que será relativamente diminuído", por não ser "propício à apresentação de novas iniciativas", defende, mas nas palavras Serpa Soares vê até um aumento do seu potencial: "Presumo que o fim do mandato também dá uma certa liberdade de palavra, penso que o facto de chegarmos ao fim também dá uma amplitude de discurso".
Em entrevista à RTP Antena 1, o antigo responsável na ONU diz que o sucessor de Guterres terá de recuperar o papel de prevenir e mediar conflitos, considerando que "os Estados-membros deram muito pouco espaço ao secretário-geral para poder exercer essas funções de mediação".
"Penso que as Nações Unidas falharam nesse papel, porque o pilar essencial - a paz e a segurança - não funciona porque nós temos um Conselho de Segurança paralisado e que já estava relativamente paralisado" antes do mandato de Guterres, afirma.
Sobre o legado que deixa, apesar de faltarem cinco meses para terminar as funções, Miguel Serpa Soares sublinha tratados no domínio do ambiente, da biodiversidade e da proteção dos oceanos, e o acordo feito entre a Rússia e a Ucrânia para a circulação de cereais. Aponta também uma "consistência do discurso e da palavra na defesa da dignidade da pessoa humana e dos direitos humanos". Tensão "inevitável" entre ONU e Israel é desafio do sucessor
Perante vários conflitos mundiais, uns mais mediáticos que outros, Miguel Serpa Soares considera na RTP Antena 1 que António Guterres manteve uma postura "equilibrada" na tensão do Médio Oriente. Isto apesar das críticas de Israel às posições do secretário-geral da ONU.
Qualquer que seja o nome escolhido para suceder a António Guterres apenas toma posse a 1 de janeiro de 2027. Até lá, "o poder da palavra" de Guterres "permanece intacto", considera Miguel Serpa Soares, advogado e ex-secretário-geral adjunto para assuntos jurídicos e Conselheiro Jurídico das Nações Unidas entre 2013 e 2024.
"O poder da ação é que será relativamente diminuído", por não ser "propício à apresentação de novas iniciativas", defende, mas nas palavras Serpa Soares vê até um aumento do seu potencial: "Presumo que o fim do mandato também dá uma certa liberdade de palavra, penso que o facto de chegarmos ao fim também dá uma amplitude de discurso".
Em entrevista à RTP Antena 1, o antigo responsável na ONU diz que o sucessor de Guterres terá de recuperar o papel de prevenir e mediar conflitos, considerando que "os Estados-membros deram muito pouco espaço ao secretário-geral para poder exercer essas funções de mediação".
"Penso que as Nações Unidas falharam nesse papel, porque o pilar essencial - a paz e a segurança - não funciona porque nós temos um Conselho de Segurança paralisado e que já estava relativamente paralisado" antes do mandato de Guterres, afirma.
Sobre o legado que deixa, apesar de faltarem cinco meses para terminar as funções, Miguel Serpa Soares sublinha tratados no domínio do ambiente, da biodiversidade e da proteção dos oceanos, e o acordo feito entre a Rússia e a Ucrânia para a circulação de cereais. Aponta também uma "consistência do discurso e da palavra na defesa da dignidade da pessoa humana e dos direitos humanos". Tensão "inevitável" entre ONU e Israel é desafio do sucessor
Perante vários conflitos mundiais, uns mais mediáticos que outros, Miguel Serpa Soares considera na RTP Antena 1 que António Guterres manteve uma postura "equilibrada" na tensão do Médio Oriente. Isto apesar das críticas de Israel às posições do secretário-geral da ONU.
"A situação de Gaza gerou uma série de reações de Israel e de outros dirigentes políticos muito agressivas, mas o secretário-geral das Nações Unidas cumpriu o seu papel de dizer o que deve ser dito no momento certo", afirma. Para Serpa Soares, houve uma "postura equilibrada" perante "graves abusos de direitos humanos", e considera que era "inevitável" o ponto baixo atingido nas relações entre Guterres e Israel. Isto sem deixar de notar a tensão histórica entre o Estado israelita e a ONU, agravada pelo "acontecimento traumático" que foi o ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023.
"Esta relação entre Israel e as Nações Unidas nunca foi fácil, com acusações de ambos os lados, mas sobretudo com acusações por parte de Israel de um preconceito negativo relativamente às atuações do Estado de Israel", nota, apontando "um grande número de resoluções condenando Israel por violações de direitos humanos".
Vivendo estas relações "um ponto muito baixo e definitivamente comprometido", Serpa Soares considera que o próximo secretário-geral da ONU terá aqui "um dos grandes desafios": recuperar esta relação.
A primeira votação informal e secreta desta quinta-feira servirá para medir a temperatura aos países representados no Conselho de Segurança (CS). Depois de reunir consenso, este órgão recomendará depois um candidato à Assembleia Geral. O CS é composto por cinco membros permanentes - China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos da América - e 10 não permanentes, sendo que Portugal assume uma vaga no próximo ano - atualmente são Bahrein, Colômbia, República Democrática do Congo, Dinamarca, Grécia, Letónia, Libéria, Paquistão, Panamá e Somália. Por sua vez, a assembleia tem de aprovar o nome proposto por maioria simples, um momento previsto até ao final deste ano.